quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

AS ORAÇÕES ADVERBIAIS NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO



O texto que segue é de autoria desconhecida. Alguns, entretanto, o atribuem ao escritor argentino Jorge Luís Borges. Leia o texto e responda às questões propostas.


Instantes

Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a sério. Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares aonde nunca fui, tornaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveram sensata e produtivamente cada minuto da sua vida, claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso e feita a vida, só de bons momentos; não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, urna bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.
Dana mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse urna vida outra vez pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.

PARA QUE SERVEM AS ORAÇÕES ADVERBIAIS?

As orações adverbiais estabelecem relações lógicas e coesivas importantes na construção de um texto. Servem para inserir noções de tempo, finalidade condição, concessão ou ainda para estabelecer comparação, concomitância ou relações de causa e conseqüência entre dois fatos.
Embora as orações adverbiais sejam comuns na fala, alguns tipos aparecem mais restritamente em textos escritos, de acordo com o padrão culto da língua e com certo grau de elaboração de idéias.

01. Ao chegar aos 85 anos, o autor do texto faz uma avaliação de sua vida. Nessa espécie de “balanço”:
a) o que lamenta não ter vivido?
b) o que mais lamenta na forma como viveu a vida?

02. O texto contrapõe dois planos o da realidade concreta, já vivida, e o da realidade hipotética, que não foi mais poderia ter sido vivida.
a) Qual é a oração que permite adentrar o mundo da realidade hipotética?
b) Em que tempo e modo está a forma verbal dessa oração?
c) Que valor semântico essa oração expressa?
d) Identifique, no texto, outras orações com o mesmo valor semântico.

03. Observe que, tendo adentrado o mundo hipotético, várias orações (por exemplo, “Se­na mais tolo ainda [...]“, “Seria menos higiênico”, “Iria a mais lugares [...]“, etc.) descrevem a forma ideal de vida, de acordo com a ótica do autor.
a) Em que tempo e modo estão as formas verbais dessas orações?
b) O que esse tempo e modo verbais expressam semanticamente nesse contexto?
c) Como forma de justificar suas projeções hipotéticas, o autor introduz em alguns trechos flashes do passado e relata o modo como viveu. Identifique no 7º parágrafo uma oração subordinada adverbial causal que cumpra o papel de justificar as projeções hipotéticas do autor.

04. O último parágrafo rompe com o mundo hipotético e traz o autor de volta para o plano da realidade concreta. O parágrafo é introduzido pela conjunção mas, que tem o valor semântico de oposição. A que idéia anterior esse parágrafo se opõe?

05. Justifique o título do texto.

06. Como conclusão do estudo, indique o item que resume melhor o papel das orações adverbiais condicionais para a construção do texto lido:
a) Elas introduzem a condição necessária para que o autor faça uma retrospectiva crítica de sua vida.
b) Elas introduzem um plano hipotético a partir do qual o autor imagina como poderá viver melhor.
c) Elas introduzem a condição necessária para que o autor adentre o mundo hipotético em torno do qual o texto é construído.
d) Elas introduzem a condição necessária para que o autor possa dar conselhos a outras pessoas.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

CONJUNÇÕES BÁSICAS: SE e QUANDO

Por Velimatti Towonen, Timo Kauppi e Tim Murphey

Muitos terapeutas e comunicadores eficazes usaram intuitivamente as conjunções "se" e "quando" da maneira certa para um bom resultado. As imagens e processos cerebrais produzidos, quando se usa cada um deles, são completamente diferentes. Experimente o seguinte:

Pense em algum resultado que você ainda não obteve. Então diga sobre o dito resultado (X):

* "Se eu alcançar .../ obterei X".

Preste atenção como é sua imagem mental, qual é o processo, se existe algum, ao nível da experiência sensorial, e como você se sente sobre X agora?

Então diga sobre o mesmo resultado:

* "Quando eu alcançar / obterei X".

O que acontece agora com a imagem mental? Qual é o processo iniciado em sua mente por esta sentença? E como você se sente sobre X agora?

Você pode comparar o que você observou com as experiências de outras pessoas com as quais nós trabalhamos. Para a maioria das pessoas, imagens associadas com " se X " são de alguma forma pouco claras, indecisas, titubeantes, como um desejo, o qual não têm certeza de alcançar. Comparadas com " quando X " a imagem " se X " é seguidamente mais distante, menos colorida, podendo até existir em preto e branco. As sensações do "se X" usualmente não são muito motivadoras e nem muito fortes.

Quando é mudada para quando, para muitas pessoas a imagem surge mais próxima, torna-se maior, pode se tornar mais colorida, podendo até transformar-se em um filme colorido etc. e seguidamente se move para o futuro na linha do tempo. Quaisquer que sejam as mudanças que a submodalidade apresentar para um indivíduo com "quando X", elas são sentidas de forma mais verdadeira, muito mais realizável e surpreendentemente muitas pessoas dizem: "Eu agora tenho certeza que vou obter, sem problemas." Ou: "Eu sinto quase como se já tivesse. Agora é mais como um fato do que como um sonho".

Se você prestou bastante atenção ao processo iniciado por "quando", você possivelmente observou outras coisas que muitas pessoas experimentaram: Quando começa um processo onde o cérebro faz um plano ou constrói os passos de como alcançar X. Este processo automático de planejar gera uma sensação de "certeza de obter" em relação ao "quando X ".

Esta diferença entre quando e se pode ser semelhante à diferença entre acreditando e desejando para os clientes.

Quando eles acreditam que vão ficar bem, eles tomam mais atitudes que lhes darão melhores chances de alcançar aquele resultado. Se eles apenas têm esperança de ficar bem eles não fazem muito porque estão inseguros de qualquer benefício. Imagine suas diferentes reações agora se um médico lhe dissesse:

* Quando você ficar melhor...
e
* Se você ficar melhor

ou

* Eu acredito que você ficará melhor...
e
* Eu desejo que você fique melhor...

Cada vez que você pronunciou uma ou outra, a pessoa que estiver ouvindo e tentando entender o que você diz entra no processo descrito acima. Após entender isto, fica-se muito interessado em como usá-los (estas conjunções) para obter o efeito máximo.

Na análise acima de se e quando, tentamos, tanto quanto possível, isolar o efeito das conjunções e das outras palavras e estruturas da sentença que pudessem exercer sua própria influência na experiência sensorial, fisiologia e processos cerebrais. Outros fatores, como ecologia, têm influência também.

Em terapia, por exemplo, pode haver uma frase onde é apropriado usar se, porque pode ser mais fácil para o cliente pensar sobre as possibilidades de comprometer-se: em algumas outras frases pode ser necessário falar quando, porque cada quando coloca o cérebro do cliente num processo de construir os passos em direção a um resultado. Se e quando vêm de dois mundos completamente diferentes, criam associações diferentes, os pensamentos e sensações são diferentes. É uma grande mudança mover um X do mundo do se para o mundo do quando e vice versa.

Como muitas outras distinções em PNL, há pessoas que preferem se e há outras que preferem quando. Você pode querer acompanhar o tipo de conetivo que a outra pessoa está usando, antes de liderá-la para um novo mundo.

Nossa idéia é que estes conetivos básicos são uma das maneiras pelas quais a linguagem estrutura nossa experiência e nosso mapa do mundo em um nível abstrato e muito profundo. Por exemplo, os tempos de verbo são tão automáticos que na realidade não há como evitá-los: quando você diz quando para uma pessoa que está lhe ouvindo, o cérebro dela faz o processo do quando antes que ela possa pensar sobre isto. Este é o primeiro sinal. Se o quando é irrealístico ou não ecológico, a pessoa recebe algum outro tipo de sinal e no segundo sinal reconsidera e pula fora da palavra quando. Isto acontece algumas vezes, mas você pode reconstruir o rapport que perdeu.

O uso sutil de SE e QUANDO

Se e quando são apenas a ponta do iceberg de como transmitir diferentes graduações de significado sobre o que será possível ou não. Se você adicionar operadores modais e formas e tempos verbais, você poderá fazer diferenças muito mais sutis. Você pode estudar as sentenças seguintes para descobrir o que elas fazem no seu processo cerebral, na sua experiência sensorial e na sua fisiologia associada:

* "Se você pudesse fazer isso..."
* "Se você puder fazer isso..."
* "Se você pode fazer isso..."
* "Quando você puder fazer isto..."
* "Se algum dia for possível, como seria?"
* "Agora suponhamos que um dia seja possível. Quando for, como será?"
* "E agora sabendo como é quando for possível, como será após tê-lo feito?"
* "E agora, tendo já feito isso, observe as coisas que você faz para que isso aconteça, quando você quiser."
* "Agora, eu não sugeriria que você fizesse estas coisas agora. Faça-as somente quando você estiver pronto para realizá-las."


POR VELIMATTI TOWONEN, TIMO KAUPPI E TIM MURPHEY Extraído da Anchor Point de outubro de 1993 Tradução: Evanice L. Pauletti Revisão: M.Helena Lorentz Publicado no "Golfinho" impresso nº42 - JUL/98

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

LER E PRAZER


Nietzsche estava certo: “De manhã cedo, quando o dia nasce, quando tudo está nascendo – ler um livro é simplesmente algo depravado...” É o que sinto ao andar pelas manhãs pelos maravilhosos caminhos da Fazenda Santa Elisa, do Instituto Agronômico de Campinas. Procuro esquecer-me de tudo que li nos livros. É preciso que a cabeça esteja vazia de pensamentos para que os olhos possam ver. Aprendi isso lendo Alberto Caeeiro, especialista inigualável na difícil arte de ver. Dizia ele que “pensar é estar doente dos olhos...” Mas meus esforços são frustrados. As coisas que vejo são como o beijo do príncipe: elas vão acordando os poemas que aprendi de cor e que agora estão adormecidos na minha memória. Assim, ao não pensar da visão une-se o não pensar da poesia. E penso que o meu mundo seria muito pobre se em mim não estivessem os livros que li e amei. Pois, se não sabem, somente as coisas amadas são guardadas na memória poética, lugar da beleza. “Aquilo que a memória amou fica eterno”, tal como o disse a Adélia Prado, amiga querida. Os livros que amo não me deixam. Caminham comigo. Há os livros que moram na cabeça e vão se desgastando com o tempo. Esses, eu deixo em casa. Mas há os livros que moram no corpo. Esses são eternamente jovens. Como no amor, uma vez não chega. De novo, de novo, de novo...


Um amigo me telefonou. Tinha uma casa em Cabo Frio. Convidou-me. Gostei. Mas meu sorriso entortou quando ele disse: “Vão também cinco adolescentes...” Adolescentes podem ser uma alegria. Mas podem ser também uma perturbação para o espírito. Assim, resolvi tomar minhas providências. Comprei uma arma de amansar adolescentes. Um livro. Uma versão condensada da Odisséia, as fantásticas viagens de Ulisses de volta à casa, por mares traiçoeiros...


Primeiro dia: praia; almoço; sono. Lá pelas cinco os dorminhocos acordaram, sem ter o que fazer. E antes que tivessem idéias próprias eu tomei a iniciativa. Com voz autoritária dirigi-me a eles, ainda sob o efeito do torpor: “Ei, vocês... Venham cá na sala. Quero lhes mostrar uma coisa...” Não consultei as bases. Teria sido terrível. Uma decisão democrática das bases optaria por ligar a televisão. Claro. Como poderiam decidir por uma coisa que ignoravam? Peguei o livro e comecei a leitura. Ao espanto inicial seguiu-se silêncio e atenção. Vi, pelos seus olhos, que já estavam sob o domínio do encantamento. Daí para frente foi uma coisa só. Não me deixavam. Por onde quer que eu fosse, lá vinham eles com a Odisséia na mão, pedindo que eu lesse mais. Nem na praia me deram descanso.


Essa experiência me fez pensar que deve haver algo errado na afirmação que sempre se repete de que os adolescentes não gostam da leitura. Sei que, como regra, não gostam de ler. O que não é a mesma coisa que não gostar da leitura. Lembro-me da escola primária que freqüentei. Havia uma aula de leitura. Era a aula que mais amávamos. A professora lia para que nós ouvíssemos. Leu todo o Monteiro Lobato. E leu aqueles livros que se lia naqueles tempos: Heidi, Poliana, A ilha do tesouro. Quando a aula terminava era a tristeza. Mas o bom mesmo é que não havia provas ou avaliações. Era prazer puro. E estava certo. Porque esse é o objetivo da literatura: prazer. O que os exames vestibulares tentam fazer é transformar a literatura em informações que podem ser armazenadas na cabeça. Mas o lugar da literatura não é a cabeça: é o coração. A literatura é feita com as palavras que desejam morar no corpo. Somente assim ela provoca as transformações alquímicas que deseja realizar. Se não concordam, que leiam Guimarães Rosa que dizia que literatura é feitiçaria que se faz o sangue do coração humano.


Quando minha filha estava sendo introduzida na literatura o professor lhes deu como dever de casa ler e fichar um livro chatíssimo. Sofrimento dos adolescentes, sofrimento para os pais. A pura visão do livro provocava uma preguiça imensa, aquela preguiça que Barthes declarou ser essencial à experiência escolar. Escrevi carta delicada ao professor lembrando-lhe que Borges havia declarado que não havia razão para se ler um livro que não dá prazer quando há milhares de livros que dão prazer. Sugeri-lhe começar por algo mais próximo da condição emotiva dos jovens. Ele me respondeu com o discurso de esquerda, que sempre teve medo do prazer: “ O meu objetivo é produzir a consciência crítica...” Quando eu li isso percebi que não havia esperança. O professor não sabia o essencial. Não sabia que literatura não é para produzir consciência crítica. O escritor não escreve com intenções didático-pedagógicas. Ele escreve para produzir prazer. Para fazer amor. Escrever e ler são formas de fazer amor. É por isso que os amores pobres em literatura ou são de vida curta, ou são de vida longa e tediosa... Parodiando as palavras de Jesus “nem só de beijos e transas viverá o amor mas de toda palavra que sai das mãos dos escritores...”E foi em meio a essas meditações que, sem que eu o esperasse, foi-me revelado o segredo da leitura... Mas o espaço acabou... O jeito é deixar para o próximo mês...



Por Rubem Alves, in: Folha de S. Paulo

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

DICAS PARA SE FAZER UMA BOA DISSERTAÇÃO

CONCEITO: Dissertar é expor idéias, é apresentar juízos, é argumentar, assumindo ou não uma posição em relação a um assunto.

Nesse sentido, podemos ter dois tipos de dissertação:

1. DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA - É aquela que apresenta uma abordagem crítica sobre determinado assunto. É a defesa do ponto de vista de quem escreve.
2. DISSERTAÇÃO EXPOSITIVA - É aquela que aborda uma verdade indiscutível. É a exposição de idéias sem tomar uma posição sobre elas. Tem apenas a intenção de informar.

ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO

INTRODUÇÃO: É a apresentação do assunto a ser desenvolvido; É a tese, a idéia inicial, sem muitas explicações.
DESENVOLVIMENTO: É a elaboração discursiva da INTRODUÇÃO. É a justificativa da idéia inicial, com a apresentação de mais detalhes, exemplos, citações, etc.
CONCLUSÃO: É a síntese do DESENVOLVIMENTO. Retomada da idéia inicial, com a apresentação de um resumo do que foi exposto ou argumentado no DESENVOLVIMENTO.
CUIDADOS PRELIMINARES
1. Ler atentamente o tema, procurando entender perfeitamente o que é pedido, e se o valor das palavras que compõem o tema é conotativo ou denotativo;
2. Conhecer o tema a ser desenvolvido. Nesse sentido, a leitura permanente de bons livros, jornais e revistas é fundamental;
3. Delimitar o assunto. Partindo de um tema aberto, amplo, procurar restringi-lo a um de seus aspectos, tornando-o assim um tema fechado, restrito.
Exemplo:
ASSUNTO = "Carnaval" = tema aberto, amplo, abrangente; "A Nudez no Carnaval" = tema fechado, específico, delimitado.
4. Refletir sobre o tema. Procurando analisar o ponto de vista assumido, sua forma e suas variantes;
5. Planejar a elaboração de cada etapa da estrutura dissertativa (INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO E CONCLUSÃO);
6. Fazer um esboço, um rascunho inicial, no qual geralmente são feitas diversas alterações antes de se redigir o texto final;
7. Procurar redigir sempre na 3ª pessoa do singular ou do plural, ou ainda, na 1ª do plural para tornar o texto mais impessoal, evitando, dessa forma, expressões do tipo "na minha opinião...", "eu penso que...", "eu acho que...", etc.;
8. Procurar desenvolver uma habilidade e um estilo de expressão próprios;
9. Manter sempre objetividade e clareza na abordagem do tema;
10. Escolher, logo de início, um título bem adequado que servirá de guia, de orientação para o perfeito desenvolvimento do assunto a ser abordado. O título, na realidade, deve ser a síntese do assunto proposto pelo tema.
NOÇÕES DE DISSERTAÇÃO OBJETIVA E SUBJETIVA
DISSERTAÇÃO OBJETIVA - É a apresentação do assunto de maneira impessoal, caracterizada pela linguagem denotativa. Texto onde prepondera a razão.
DISSERTAÇÃO SUBJETIVA - É a apresentação do assunto de maneira introspectiva, provocando a emoção do leitor e caracterizada pela linguagem conotativa.
CORREÇÃO DO TEXTO
Principais cuidados que devem ser tomados ao término da dissertação:
1. ADEQUAÇÃO: Verificar se o texto está adequado ao tema e à modalidade propostos;
2. COERÊNCIA: Observar se houve um começo, meio e fim coerentes e sequenciais, de acordo com a tese defendida;
3. CLAREZA: Entendimento perfeito das idéias expostas, sem a presença de ambiguidades. Para isso, tomar cuidado com a parte gramatical;
4. COESÃO: Organização lógica das frases, dos parágrafos e do texto como um todo.
MODELO SIMPLIFICADO DE UMA REDAÇÃO DISSERTATIVA

ASSUNTO: Opinião. TEMA (DELIMITAÇÃO DO ASSUNTO): Direito de expor sua opinião. Existe ou não este direito?
TÍTULO: UMA NECESSIDADE HUMANA
INTRODUÇÃO: Apresentação da tese com seus argumentos.
ARGUMENTOS PARA SER DESENVOLVIDOS: 1) Necessidade de expor suas idéias, ou seja, é inerente ao ser humano a condição de dizer o que pensa;
2) Superação do interlocutor, ou seja, numa discussão, é a tentativa de convencer a pessoa com quem se dialoga de que você está certo;
Exemplo de Introdução:
"Como todo ser humano, emitimos nossas opiniões, sendo ou não solicitados, uma vez que a necessidade de expor nossas idéias é uma constante, além de nos sentirmos com a sensação de que sobrepujamos eventuais interlocutores."
Exemplo de Desenvolvimento:
"Percebermo-nos capazes de abordar qualquer assunto, independente da convicção que tenhamos sobre ele, alimenta-nos o ego, resgatando a própria imperfeição humana. Reconhecermo-nos aptos para toda discussão, confere-nos o poder, visto que o homem precisa dele para se sentir forte.
Não menos verdade é a satisfação de superarmos aquele de quem discordamos, não nos importando para isso quais recursos utilizemos, pois nos oferece a vitória e o poder, dominando o oponente pela nossa capacidade de persuasão. Entregamo-nos, então, uma medalha de autoconhecimento, o que nos alimenta substancialmente."
Exemplo de Conclusão:
"Dessa forma, é sempre muito importante termos uma opinião, pois através dela, não só suprimos uma grande necessidade que sentimos, como também vemos prostrado aquele que nos ousou desafiar."

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

CITAÇÃO, O COLABORADOR TEXTUAL
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Suponha que você esteja fazendo um trabalho literário, e necessite do trecho duma obra pesquisada para comprovar sua afirmação. Neste caso você teria de recorrer a citação. Portanto, a citação seria: trechos de textos consultados, considerados relevantes, para a elaboração de um trabalho textual, e que colaboram com as idéias do pesquisador.
Segundo a ABNT (2002), as citações são classificadas em três tipos: Citação Direta; Citação Indireta e Citação de Citação.


------ CITAÇÃO DIRETA NO TEXTO ------


É a transcrição, no corpo do trabalho, de um texto ou palavras, tal qual, consta na obra pesquisada, isto é, litertalmente. Neste caso, devemos colocar o sobrenome do autor, o ano da obra consultada e o número da página consultada.


Citação até Três Linhas – deve ser inserida no parágrafo, entre aspas duplas. Há duas maneiras possíveis: na primeira trazemos o autor para o contexto da redação, empregando termos, como: segundo, de acordo com, afirma, relata, conceitua, descreve, etc. Na segunda, informamos, entre parênteses, o autor, a obra, a data e a página, ao final da citação. Veja os exemplos:


Com a difusão da máquina de escrever, segundo Houaiss, Elementos de Bibliografia (1967, Vol.I, p.65), “há uma tendência progressiva para fazer base do autógrafo um texto datilográfico, sobretudo daqueles autores que são datilógrafos de si mesmos”.

Com a difusão da máquina de escrever, “há uma tendência progressiva para fazer base do autógrafo um texto datilográfico, sobretudo daqueles autores que são datilógrafos de si mesmos”. ( Houaiss, Elementos de Bibliografia, 1967, Vol.I, p.65)


Citação até Três Linhas pelo Sitema Numérico - nesse sistema, a fonte da qual foi extraída a citação é indicada em nota de rodapé, no final da página, do capítulo ou do artigo. A numeração no texto da citação deve ser feita de maneira única e consecutiva para todo o trabalho ou para cada capítulo. Deve ser feita, de preferência, com os números situados um pouco acima da linha de texto (sobrescrito), e, ao final da citação. As outras opções são: colocar o número entre parênteses (1) ou entre colchetes [1]:

Com a difusão da máquina de escrever, “há uma tendência progressiva para fazer base do autógrafo um texto datilográfico, sobretudo daqueles autores que são datilógrafos de si mesmos¹” .

A indicação dos dados da fonte deverá estar situada na mesma página, em forma de notas de rodapé ou ao final de cada capítulo, ou ainda, no final do texto:
_________________
1. Houaiss, Elementos de Bibliografia, 1967, Vol.I, p.65
Quando várias notas de rodapé se referem a uma mesma obra e mesmo autor, deve ser usada a expressão [idem] ou sua abreviação, [id.] (= mesmo autor, ou igual à anterior) e [ibidem] ou a sua abreviação, [ibid.] (= mesma obra). A expressão [Idem] substitui só o autor e não as diferentes obras. Ex.:

2. Idem, Ibidem., p. 190.
Quando for citar novamente um autor, e não quiser dar toda a referência, use [op.cit.], que é abreviação de opus citatun, (obra citada). Cuidado com [Op. cit.] Se esta referência ficar muito distante da primeira referência que fez, por exemplo, em outro capítulo, faça-a de modo completo.

2. Houaiss ,op. cit , p. 194.

A utilização desse sistema não dispensa a apresentação da lista de referências bibliográficas ao final do trabalho.


Citação com mais de Três Linhas – deve ser destacada, pulando-se uma linha para iniciar a transcrição da citação, com recuo maior da margem esquerda, sem aspas e crédito(s) do(s) autor(res) ao final da citação:

É assim que podemos acompanhar Henry Esmond ao longo de toda a sua vida e que Hamlet poucas horas passará conosco. Em um dia de leitura podemos viver anos e anos da existência das personagens de uma ficção. Nas poucas horas que dura uma tragédia, pouco mais viveremos que os derradeiros momentos do herói. (SIMÕES, JOÃO GASPAR. Ensaio sobre a Criação no Romance, 1944, p.14)

Quando o crédito do autor não estiver entre parênteses devem ser redigido em letras maiúsculas e minúsculas.

[...] A ficção não pretende fornecer um simples retrato da realidade, mas antes criar uma imagem da realidade, uma reinterpretação, uma revisão. É o espetáculo da vida através do olhar interpretativo do artista, a interpretação artística da realidade.
COUTINHO, Afrânio. Notas de Teoria Literária, 1978, p.18.


Citação com Trechos Omitidos - trechos dispensáveis ao entendimento da citação podem ser omitidos, desde que não alterem o argumento do autor; para isso utilizamos colchetes e reticências [...] a fim de indicar a omissão. Do mesmo modo, se a supressão ocorrer no início ou no final da citação:


Em suma, constituem “diversos momentos do movimento dramático [...] fases de ação, são eles mesmos ações”. (HEGEL, Estética. TR. Port., 1964, p. 393)



---- CITAÇÃO INDIRETA ----


É a trancrição livre do texto, isto é, usamos nossas próprias palavras para expor a idéia do autor. Podemos, ainda, se o trecho for muito longo, intrepretar a idéia do autor e fazermos uma síntese.
Nesse tipo de citação, não se utiliza as aspas; mas o autor, a fonte e a data de publicação devem ser citados. Não é obrigatório colocar o número de páginas, mas se o fizer deve repitir erm todas as outras citações.

Como lembra Martins (1984), o futuro desenvolvimento da informação está cada dia mais dependente de um plano unificado de normalização.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

No caso de citações de periódicos informamos: o sobrenome do autor, o título do artigo, o nome da revista ou jornal, o ano, número e páginas que encerram a matéria.
Acréscimos e/ou comentários, quando necessários à compreensão de algo dentro da citação, aparecem entre colchetes [].
Para se destacar palavra, frases, em uma citação, usa-se o grifo, o negrito ou o itálico, seguido da expressão grifo meu ou destaques meus, ou ainda, grifo do autor, entre parênteses e após a citação:

[...]; ela diz (sic) que contraiu o vírus através de uma transfusão, “em uma entrevista coletiva” [destaque meu]. (Sic = assim)

Quando se tratar de dados obtidos através de informação verbal (palestras, debates, comunicações, etc.), indicar entre parênteses a expressão "informação verbal", mencionando-se os dados disponíveis somente em nota de rodapé.

Algumas expressões latinas usadas somente em notas de rodapé:
Cf. = confira; confronte. Ex.: Cf. João Gaspar, 1998.
Loc. cit. ou loco citato = no lugar citado.
Passim = aqui e ali; em diversas passagens (do texto referido).
Et seq. ou sequentia =seguinte ou que se segue
E.g. ou exempli gratia = por exemplo.


_____________________________
Fontes: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS; ABNT 2002. p1.
www.ufrgs.br/faced/setores/biblioteca/citacoes.html
Agradeço a leitura e, antecipadamente, qualquer comentário.
Se você encontrar erros (inclusive de português), por favor, me informe.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Como sublinhar e esquematizar um texto

1 SUBLINHAR
Costuma-se sublinhar uma palavra ou expressão quando se quer chamar a atenção do leitor para aquele trecho ou para enfatizar um termo ou frase. Usa-se, também, para se referir a algum termo que está sendo usado de maneira inadequada ou pouco adequada etc. Portanto use o sublinhamento com moderação, uma vez que, se esse meio de marcar o texto for muito utilizado, acaba esgotando sua função.

1.1 Noções gerais
A leitura informativa ou leitura de estudo, através da técnica de sublinhar, auxilia a aprender os conteúdos e significados do texto.
O alicerce de toda aprendizagem é a idéia fundamental contida em cada texto, capítulo, subdivisão ou parágrafo. É necessário separar os fatores textuais menos essenciais, para não perder a unidade de pensamento. Por isso, sublinhar com traços verticais às margens, usar cores e marcas diversas para cada parte importante analisada contribui para uma boa leitura.
O desenvolvimento da técnica de sublinhar passa por algumas etapas, então algumas noções básicas de sublinhar são essenciais, conforme segue abaixo:
a) a primeira leitura serve para a compreensão do assunto e como forma de esclarecimento das dúvidas que surgiram na leitura, nesta fase é preferível não sublinhar, no entanto se idéias importantes foram encontradas, coloque à margem um sinal convencional: “x”, “*”, “(.)”, “I” etc.
b) reler o texto e identificar a idéia principal, os detalhes importantes, os termos técnicos, as definições, as classificações, as provas;
c) o leitor deve habituar-se a sublinhar depois que releu um ou dois parágrafos, para saber exatamente o que irá sublinhar. Usar como ajuda, os sinais colocados à margem, para escolher o que sublinhar com mais segurança;
d) sublinhar as idéias centrais, utilizando dois traços para as palavras-chaves e um para os detalhes mais importantes;
e) nos tópicos mais importantes deve-se assinalar, à margem do texto, com uma linha vertical. E nos argumentos discutíveis deve-se assinalar um ponto de interrogação, também a beira do texto;
f) cada palavra não compreendida deve-se consultar o dicionário e, se necessário anotar o significado para melhor entendimento do texto.
g) ler o que foi sublinhado, para verificar se há sentido assim cada parágrafo deve ser reescrito a partir das palavras destacadas;
h) E por fim, deve-se reconstruir o texto, em forma de esquema ou resumo, baseando-se nas palavras sublinhadas.

1.2 Necessidade de sublinhar
Esta necessidade consiste em conseguir compreender, ao reler o que foi sublinhado, a estrutura sintética e entender o significado do que se leu.
Para isto, deve-se ler o texto, fazer uma releitura e procurar as principais idéias, assim mostrando os detalhes importantes, termos técnicos e definições. E sublinhar apenas algumas palavras e frases que considerem essenciais e nunca a oração toda, por isso não é aconselhável sublinhar muitas palavras por parágrafo.

1.3 Técnicas para sublinhar
Sublinhar é uma técnica indispensável tanto para elaboração de esquemas e resumos quanto para destacar as idéias importantes de um texto.
Para que se possam identificar estas idéias importantes deve-se ter como requisito fundamental a compreensão do assunto, mas para que a técnica de sublinhar seja realmente eficiente algumas normas devem ser respeitadas, como nunca sublinhar parágrafos ou frases inteiras.
Para que a técnica tenha maior utilidade e praticidade, há sugestões que podem ser seguidas:
  • sublinhar com lápis preto macio, para não danificar o texto;
  • sublinhar com dois traços as idéias principais e com um traço as secundárias;
  • dependendo do gosto pessoal, usa-se caneta hidrocor, em carias cores, podendo-se estabelecer um código particular:
    vermelho (ou verde) = idéias principais;
    azul (ou amarelo) = detalhes mais importantes;
  • as anotações à margem do texto podem ser feitas com um traço vertical para trechos importantes e dois traços verticais para os importantíssimos.

    E para analisar se a técnica teve eficiência desejada, é recomendado “no final do trabalho, fazer uma leitura comparando-se o texto original com o que foi sublinhado” .

2 ESQUEMATIZAR

Para Rauen “esquema é um tipo de produção textual que explicita a linha diretriz do autor de um documento de base” .

Assim esquema é a apresentação do texto, colocando em destaque os elementos de maior importância. Sua finalidade é difundir mais amplamente as informações facilitando para o leitor sua compreensão. Utiliza-se o esquema como meio facilitador para a memorização e a explicação do texto, usam-se muito pra tal feito linhas, setas, círculos colchetes, entre símbolos diversos.

2.1 Características do esquema

Na elaboração de esquemas, para que não fujam de seu projeto principal que é simplificar ao leitor a compreensão do texto, algumas características devem ser ressaltadas e observadas. Segundo Salomon:

Fidelidade ao texto original: deve conter as idéias do autor, sem modificação ou
pontos de vistas pessoais;

Estrutura lógica do assunto: partir sempre da idéia principal, depois para seus respectivos detalhes;

Adequação ao assunto estudado e funcionalidade: o esquema deve ser flexível, adaptado ao tipo de matéria a ser estudada. Os assuntos mais profundos com mais detalhes e os mais fáceis apenas com palavras chaves;

Utilidade de seu emprego: o esquema deve facilitar a pesquisa assim como sua revisão, deixando em evidencias seus pontos chaves;

Cunho pessoal: cada pessoa tem seu próprio jeito de fazer esquemas, portanto, um esquema feito por alguma pessoa raramente ira servir á outra.

2.2 Utilidade do esquema

É resumir textos muito grandes e densos para que o leitor o entenda sem que aja uma leitura completa do texto. Muito utilizado em estudos para provas, matéria a ser dada por
professores, métodos para a realização de trabalhos técnicos, entre outros.

2.3 Elaboração de esquema

Existem várias maneiras para elaboração de um esquema. Porém, é necessário que o esquema expresse palavras que contém a idéia principal.

Um esquema deve estar de acordo com a realidade. Deve-se sintetizar o tema e não modificá-lo, desenvolvendo o esquema de acordo com o tema.

Enfim, para elaboração de um esquema, são necessárias várias leituras do tema. Destas leituras precisa-se marcar um ponto de partida, destacar a idéia principal e seguir uma linha de fatos ligados entre si. Estes fatos devem conter as expressões principais.


2.3.1 Recomendações para elaboração de esquemas

a) Captar a estrutura da exposição do autor quer se trate de um livro, de uma seção, de um capítulo. Pode-se obter o esboço inicial a partir dos títulos, subtítulos e das epigrafes. Estas funcionam como guias e indicadores.

b) Colocar os títulos mais gerais numa margem e os subtítulos e divisões nas colunas subseqüentes e assim sucessivamente, caminhando da esquerda para a direita.

c) Utilizar o sistema de numeração progressiva (1, 1,1, 1,2, 1.2.1, 2 etc.) ou convencionar o uso de algarismos romanos, letras maiúsculas, minúsculas, números, etc., para indicar as divisões e subdivisões sucessivas.

d) Usar alguns símbolos convencionais e convencionar abreviaturas para poupar tempo e facilitar a captação rápida das idéias. Assim, por exemplo:

→ para indicar: “produz”, “decorre”, “por conseguinte”, “conduz a”, “resulta” etc. Ex.: grupo minoritário → marginalização;

♂ para indicar sexo masculino — homem;

♀ para indicar sexo feminino — mulher;

☺ para indicar sujeito — indivíduo, homem etc.

2.4 Exemplo

O industrialismo tem como imperativo máximo à conquista do velho pelo novo; e está forçando a humanidade a marchar através da história a um ritmo cada vez mais rápido. Porém, fixa somente a direção geral dessa marcha. A natureza geral do caminho define muitos caracteres específicos que de outra maneira aparecem como mistos e inclusive acidentais. Outra questão é porque um caminho ou outro é escolhido ou aceito pelos homens, ou imposto a eles. O industrialismo é introduzido por elites nativas ou estrangeiras, grupos de homens que pretendem conquistar a sociedade através da superioridade dos novos meios de produção. A nova sociedade, ao longo do tempo e sob um ou outro auspício, está sempre destinada a ganhar. A grande questão dramática não é se o industrialismo haverá de obter a supremacia, mas qual será seu enfoque conceitual da organização da industrialização.


2.4.1 Esquema do exemplo

Industrialismo

Conquista do velho pelo novo;

Fixa a direção geral da marcha.

Caminho

Define muito dos caracteres específicos;

Por que um ou outro é escolhido?

Elite

Deseja conquistar a sociedade;

A nova é destinada a ganhar;

Como organizará a industrialização.

REFERÊNCIA

1 LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 3. ed.; rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 1991.

2 MARCANTONIO, Antonia Terezinha; SANTOS, Martha Maria dos; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Elaboração e divulgação do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1993.

3 ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na graduação. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

4 SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. 10 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

5 SIMIÃO, Daniel Schroeter. et al. Organizando a Informação: esquema, fichamento, resumo.

6 NUNES, Luiz Antonio. Manual da monografia jurídica: como se faz uma monografia, uma dissertação, uma tese. 5. ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: Saraiva, 2007.

7 RAUEN, Fábio José. Roteiros de investigação científica. Tubarão: Ed. UNISUL, 2002.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A vírgula e as palavras denotativas de realce

Uma das funções da vírgula é isolar determinados termos da oração, imprimindo uma pausa no período. A vírgula, então, é aplicada duplamente: antes e depois do termo que quer se destacar.
Algumas palavras da língua portuguesa são utilizadas para designar algumas idéias. Não se trata propriamente de um advérbio, embora em diversas situações cumpram o papel desempenhado por ele: um
modificador. Assim chamadas de palavras denotativas, elas podem expressar ênfase: palavras denotativas de realce.
As palavras denotativas de realce, já que isolam um termo dentro da oração, devem se apresentar entre vírgulas.

Exemplos:

As crianças principalmente devem ser vacinadas com urgência. [Inadequado]

As crianças, principalmente, devem ser vacinadas com urgência. [Adequado]

Os peixes e mariscos especialmente compunham seu cardápio tradicional. [Inadequado]

Os peixes e mariscos, especialmente, compunham seu cardápio tradicional. [Adequado]

Algumas palavras denotativas, além de indicarem realce, também apontam para a idéia de partição. Elas indicam que, dentro de um conjunto de seres, alguns foram selecionados e é sobre esses que, em geral, recai a ênfase do enunciado. A vírgula, da mesma forma, deve ser empregada duplamente junto a essas palavras.

Exemplo:

Aquelas festas eram sobretudo o reencontro anual da família. [Inadequado]

Aquelas festas eram, sobretudo, o reencontro anual da família. [Adequado]

São outros exemplos de palavras denotativas de realce:

maiormente
mormente